terça-feira, 17 de outubro de 2017

REABERTURA E NOVO ENDEREÇO DE NOSSA COMUNIDADE

Aconteceu no último dia 15/10/2017 a reabertura de nossa comunidade aqui em Caruaru. A homilia e a Santa Eucaristia foram presididas pelo Reverendo Bruno Leandro.

As Celebrações ocorrerão quinzenalmente sempre as 15 horas no auditório do Center Plaza Hotel que fica na rua Rua Sete de Setembro, 84 - 2° Andar - Nossa Senhora das Dores - Caruaru-PE. Informações - Cel: (81) 99458-4073. 






sábado, 11 de março de 2017

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NA PARÓQUIA ANGLICANA DE TODOS OS SANTOS

No dia 26 de fevereiro de 2017, o Papa Francisco visitou a Paróquia Anglicana de Todos os Santos (All Saints), no contexto das comemorações de 200 anos dos anglicanos em Roma. Francisco, primeiro Bispo de Roma a visitar uma paróquia anglicana, abençoou o Ícone de Cristo Salvador, fez um discurso aos presentes e respondeu às perguntas da assembleia. Esse foi mais um passo da caminhada de 50 anos de diálogo entre católicos e anglicanos, a qual, com Francisco, já teve momentos significantes como a benção mútua entre ele e Justin Welby, após a primeira visita do Arcebispo de Cantuária ao Papa Francisco (16.06.2014), e a Declaração Comum Anglicano-Católica, no encerramento da peregrinação pelos 50 anos do diálogo (05.10.2016).

Traduzi o texto da homilia de Francisco e de suas respostas às perguntas na Paróquia Anglicana Todos os Santos, o qual pode ser baixado aqui ou, então, lido mais abaixo. Ele é um convite a que não carreguemos feridas do passado – um passado do qual em nada participamos – como paradigma do relacionamentos entre as duas tradições de fé cristã.



Domingo, 26 de fevereiro de 2017



HOMILIA

Queridos irmãos e irmãs,

Agradeço-lhes pelo seu gentil convite para celebrarmos juntos este aniversário paroquial. Transcorreu-se mais de duzentos anos desde quando se teve em Roma o primeiro serviço litúrgico público Anglicano, para um grupo de residentes ingleses que viviam nesta parte da cidade. Muito, em Roma e no mundo, mudou desde então. Durante estes dois séculos, muito mudou entre Anglicanos e Católicos, que no passado se olhavam com suspeita e hostilidade; hoje, graças a Deus, nos reconhecemos como realmente somos: irmãos e irmãs em Cristo, por meio de nosso batismo comum. Como amigos e peregrinos desejam caminhar juntos, seguir juntos o nosso Senhor Jesus Cristo.
Vocês me convidaram para abençoar o novo ícone de Cristo Salvador. Cristo nos olha, e seu olhar pousado sobre nós é um olhar de salvação, de amor e compaixão. É o mesmo olhar misericordioso que penetrou o coração dos Apóstolos, que iniciaram um novo caminho de vida para seguir e anunciar o Mestre. Nesta imagem, Jesus, olhando, parece nos dirigir uma chamada, um apelo: “Você está pronto para deixar algo do seu passado para mim? Quer ser um mensageiro do meu amor, da minha misericórdia?”
A misericórdia de Deus é a fonte de todo o ministério cristão. Disse-nos o apóstolo Paulo, dirigindo-se para o Corinthians, na leitura que acabamos de ouvir. Ele escreve: “Tendo este ministério segundo a misericórdia que nos foi dada, nós não desanimamos” ( 2 Cor 4,1). Na verdade, São Paulo não teve sempre um relacionamento fácil com a comunidade de Corinto, como demonstram suas cartas. Houve também uma dolorosa visita a esta comunidade e palavras excitadas foram trocadas por escrito. Mas esta passagem mostra que o apóstolo supera as diferenças do passado e, vivendo o seu ministério segundo a misericórdia recebida, não se resigna diante das divisões, mas se consome pela reconciliação. Quando nós, comunidade de cristãos batizados, encontramo-nos defronte divergências e nos colocamos diante do rosto misericordioso de Cristo para superá-las, fazemos assim como fez São Paulo numa das primeiras comunidades cristãs.
Como Paulo se engaja nesta tarefa, de onde ele começa? Da humildade , que não é apenas uma bela virtude, é uma questão de identidade: Paul se entende como um servo, que não anuncia a si mesmo, mas ao Senhor Jesus Cristo (v. 5). Ele cumpre este serviço, este ministério segundo a misericórdia que lhe foi dada (v. 1); não com base na sua habilidade nem contando com suas próprias forças, mas na fé de que Deus olha para ele e sustenta com misericórdia sua fraqueza. Tornar-se humilde é descentralizar, deixar o centro, reconhecer-se necessitado de Deus, mendicante de misericórdia: é o ponto de partida, para que seja Deus a operar. Um presidente do Conselho Mundial de Igrejas descreveu a evangelização cristã como “um mendigo dizendo a outro mendigo onde encontrar pão” (Dr. DT Niles). Eu acho que São Paulo teria aprovado. Ele sentiu-se “alimentado pela misericórdia” e que sua prioridade era compartilhar com os outros o seu pão: a alegria de ser amado pelo Senhor e de amá-lo.
Este é o nosso bem mais precioso, o nosso tesouro, e, neste contexto Paulo introduz uma de suas imagens mais famosas, que podemos aplicar a todos nós: “Temos este tesouro em vasos de barro” (v. 7). Somos apenas vasos de barro, mas guardam dentro de nós o maior tesouro do mundo. Os Corintíos sabiam que era tolo preservar algo precioso em vasos de barro, que são baratos, mas facilmente se quebram. Ter no interior deles algo precioso significava arriscar-se perdê-lo. Paulo, pecador perdoado, humildemente reconhece ser frágil como um vaso de barro. Mas experimentou e sabe que ali, onde a miséria humana se abre a ação misericordiosa de Deus, o Senhor faz maravilhas. Assim, opera o “poder extraordinário” de Deus (v. 7).
Confiante nesse poder humilde, Paulo serve o Evangelho. Falando de alguns de seus adversários em Corinto, ele vai chamá-los de “superapóstolos” ( 2 Cor 12:11), talvez, e com alguma ironia, porque ele tinha sido criticado por suas fraquezas, das quais se consideravam isentos. Paulo, no entanto, ensina que somente se reconhecendo frágeis vasos de barro, pecadores sempre necessitados de misericórdia, o tesouro de Deus é derramado em nós e sobre os outros através de nós. De outro modo, seremos apenas plenos de nossos tesouros, que se corrompem e apodrecem em vasos aparentemente belos. Se nós reconhecemos nossa fraqueza e pedimos perdão, então a misericórdia curadora de Deus resplandecerá dentro de nós e será mais visível aos de fora; os outros repararão, de alguma forma, através de nós, a beleza gentil do rosto de Cristo.
Em algum momento, talvez o momento mais difícil com a comunidade de Corinto, Paulo cancelou uma visita que ele tinha planejado fazer, renunciando também as ofertas que havia recebido ( 2 Cor 1,15-24). Existiam tensões na comunhão, mas elas não eram a última palavra. A relação foi restaurada e o Apóstolo aceitou a oferta para o sustento da Igreja de Jerusalém. Os cristãos de Corinto voltaram a trabalhar junto com as outras comunidades visitadas por Paulo, para apoiar quem tinha necessidade. Este é um forte sinal de comunhão restaurada. Também o trabalho que a comunidade de vocês desenvolve junto a outros de língua Inglesa aqui em Roma pode ser visto desta forma. A verdadeira e sólida comunhão cresce e se torna mais forte quando agimos juntos por quem tem necessidade. Através do testemunho comum de caridade, o rosto misericordioso de Jesus torna-se visível em nossa cidade.
Católicos e Anglicanos, estamos humildemente gratos porque, depois de séculos de desconfiança recíproca, somos agora capazes de reconhecer que a fecunda graça de Cristo trabalha também nos outros. Agradecemos a Deus que entre os cristãos cresceu o desejo de uma maior proximidade, que se manifesta em orar juntos e no comum testemunho do Evangelho, especialmente através das várias formas de serviço. Às vezes, o progresso no caminho para a plena comunhão pode parecer lento e incerto, mas hoje podemos tirar o incentivo do nosso encontro. Pela primeira vez um Bispo de Roma visita sua comunidade. É uma graça e também uma responsabilidade: a responsabilidade de reforçar as nossas relações em louvor de Cristo, em serviço do Evangelho e da cidade.
Encorajemo-nos uns aos outros para nos tornar cada vez mais discípulos fiéis de Jesus, cada vez mais livres de respectivos preconceitos do passado e cada vez mais desejosos de orar por e com os outros. Um bom sinal deste desejo é a “geminação” realizada entre sua paróquia de Todos os Santos [All Saints] e a católica de Todos os Santos [Ognissanti]. Os santos de todas as confissões cristãs, totalmente unidos na Jerusalém celeste, abrem-nos o caminho a percorrer aqui todas as formas possíveis de caminhada cristã fraterna e comum. Onde nos encontramos em nome de Jesus, Ele está lá (cf. Mt 18,20), e virando seu olhar de misericórdia chama a consumir-nos pela a unidade e pelo amor. Que o brilho do rosto de Deus brilhe sobre vocês, sobre suas famílias e sobre toda esta comunidade!

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PERGUNTAS E RESPOSTAS

Pergunta: Durante nossas liturgias, muitas pessoas entram em nossa igreja e se maravilham porque “parece uma igreja católica!”.
Muitos católicos já ouviram falar do rei Henrique VIII, mas não conhecem as tradições anglicanas e o progresso ecumênico deste meio século.
O que você gostaria de dizer-lhes sobre a relação entre católicos e anglicanos hoje?

Resposta do Papa: É verdade, a relação católicos e anglicanos hoje entre é bom, nos queremos bem como irmãos! É verdade que na nossa história há coisas ruins em toda parte, e “arrancar um pedaço” da história e carregá-lo como um “ícone” do [nosso] relacionamento não é certo. Um fato histórico deve ser lido na hermenêutica daquele momento, não com outra hermenêutica. E agora as relações são boas, eu disse. Elas andam outras, desde visita do primaz Michael Ramsey, e ainda mais… Mas ainda nos santos, temos uma tradição comum dos santos que o seu pároco quis enfatizar. E nunca, nunca as duas Igrejas, as duas tradições têm negado os santos, os cristãos que viveram o testemunho cristão a esse ponto. E isso é importante. Mas há também relações de fraternidade nos maus momentos, em tempos difíceis, onde eles foram tão misturado poder político, econômico, religioso, onde havia uma regra “cuius regio eius religio” [de quem a região, dele a religião], mas também naqueles dias houve alguns relacionamentos …
Conheço na Argentina um velho jesuíta, ancião, eu era jovem, ele era velho, seu pai Guillermo Furlong Cardiff, nascido na cidade de Rosario, a família de Inglês; e ele era coroinha quando criança – ele era católico, de família inglesa católica – ele foi coroinha em Rosário, no funeral da Rainha Vitória, na igreja anglicana. Ainda naquele tempo não havia esta relação. E as relações entre católicos e anglicanos são relações – não sei se historicamente se você pode dizer isso, mas é uma figura que irá ajudar-nos a pensar – dois passos à frente, a meio passo atrás, dois passos para frente, meio passo trás … É assim. Somos humanos. E devemos continuar nisto.
Há uma outra coisa que manteve forte a conexão entre nossas tradições religiosas: temos os monges, os mosteiros. E os monges, sejam católicos sejam anglicanos, são uma grande força espiritual das nossas tradições.
E as relações, como eu diria, melhoram ainda mais, e eu gosto, isso é bom. “Mas não fazemos todas as coisas iguais…”. Mas caminhamos juntos, andamos juntos. Por enquanto está bem assim. Cada dia tem sua própria preocupação. Não sei, isto me vem para dizer-te. Obrigado.

Pergunta: Seu antecessor, o Papa Bento XVI, tem alertado para o risco, no diálogo ecumênico, de dar prioridade à colaboração ação social, em vez de seguir o caminho mais exigente do acordo teológico.
Aparentemente, ela parece preferir o contrário, ou seja, “andar e trabalhar” em conjunto para alcançar a meta da unidade dos cristãos. Certo?

Resposta do Papa: Eu não sei o contexto em que o Papa Bento XVI disse isso, eu não sei, por isso é um pouco difícil para mim, me coloca impedido para responder … Ele queria dizer isso ou não… Talvez possa ter sido numa conversa com os teólogos … mas eu não tenho certeza. Ambas as coisas são importantes. Isso certamente. Qual dos dois tem a prioridade?… E, por outro lado, há a famosa linha do Patriarca Atenágoras – o que é verdade, porque eu fiz a pergunta ao Patriarca Bartolomeu e me disse: “Isso é verdade” -, quando disse ao Beato Papa Paulo VI: “nós fazemos a união entre nós, e todos os teólogos coloca-nos em uma ilha, porque eles pensam!”. Era uma piada, mas é verdade, historicamente verdade, porque eu duvidava, mas o patriarca Bartolomeu disse-me que ela é verdadeira. Mas o que é o cerne disto, porque eu acredito que o que o Papa Bento XVI disse é verdade: deve-se buscar o diálogo teológico para buscar também as raízes …, sobre os sacramentos … sobre tantas coisas em que nós ainda não estamos de acordo… Mas isso não pode ser feito em laboratório: deve-se fazer caminhando ao longo da estrada. Estamos no caminho e no caminho fazemos também essas discussões. Os teólogos fazem-nas. Mas, enquanto isso nós nos ajudamos, nós, uns com os outros, em nossa necessidade, em nossas vidas, também espiritualmente nos ajudamos. Por exemplo, na geminação foi o fato de estudar as Escrituras juntos e ajudar uns aos outros no serviço da caridade, a serviço dos pobres, em hospitais, guerras… É tão importante, tão importante isto. Não se pode fazer o diálogo ecumênico parados. Não. O diálogo ecumênico é feito no caminho, porque o diálogo ecumênico é um caminho, e as coisas teológicas são discutidas no caminho. Creio que com isso não traio a mente do Papa Bento, nem a realidade do diálogo ecumênico. Então, interpreto. Se eu conhecesse o contexto em que se disse aquela expressão, talvez eu diria o contrário, mas isso é o que me vem de dizer.

Pergunta: A igreja de Todos os Santos começou com um grupo de fiéis britânicos, mas agora é uma congregação internacional com pessoas de diferentes países.
Em algumas regiões da África, Ásia ou do Pacífico, as relações ecumênicas entre as Igrejas são melhores e mais criativas do que aqui na Europa.
O que podemos aprender com o exemplo das igrejas do sul do mundo?

Resposta do Papa: Obrigado. É verdade. As jovens Igrejas têm uma vitalidade diferente, porque são jovens. E procuram uma maneira de se expressar de forma diferente. Por exemplo, uma liturgia aqui em Roma, ou pense em Londres ou Paris, não é o mesmo que uma liturgia em seu país, onde a cerimônia litúrgica, Católica, se expressa com uma alegria, com dança e suas muitas formas diferentes próprias daquelas Igrejas jovens. As Igrejas jovens têm mais criatividade; e no início aqui na Europa era o mesmo: elas procuravam…. Quando você lê, por exemplo, na Didaqué , como se fazia a Eucaristia, o encontro entre os cristãos, houve uma grande criatividade. Depois, crescendo, crescendo a Igreja se estabeleceu bem, cresceu a uma idade adulta. Mas as igrejas jovens têm mais vitalidade e também têm a necessidade de colaborar, uma necessidade forte. Por exemplo, estou estudando, meus colaboradores estão estudando a possibilidade de uma viagem ao Sudão do Sul. Por quê? Porque os bispos vieram, o Anglicano, Presbiteriano e o Católico, os três juntos, para me dizer: “Por favor, venha para o Sudão do Sul, apenas um dia, mas não venha sozinho, venha com Justin Welby”, isto é, com o Arcebispo de Canterbury. A partir deles, Igreja jovem, veio essa criatividade. E nós estamos pensando se se pode fazer, se a situação é muito ruim lá… Mas nós temos que fazer, porque eles, os três juntos querem a paz, e eles trabalham juntos pela paz… Há uma anedota muito interessante. Quando o Beato Paulo VI fez a beatificação dos mártires de Uganda – Igreja jovem – entre os mártires – eram catequistas, todos os jovens – alguns eram católicos e outros anglicanos, e todos foram martirizados pelo próprio rei, por ódio à fé e porque eles não quererem seguir as propostas imundas do rei. E Paulo VI se viu constrangido porque disse: “Eu tenho para beatificar a uns e a outros, eles são mártires a uns e a outros.” Mas naquele momento da Igreja Católica não era tão possível fazer essa coisa. Ainda estava no Concílio… Mas esta Igreja jovem hoje celebra a uns e a outros juntos; Paulo VI na homilia, no discurso na missa de beatificação (sic), quis nomear os catequistas anglicanos mártires da fé no mesmo nível dos catequistas católicos. Isso faz uma Igreja jovem. As Igrejas jovens têm coragem, porque são jovens; como todos os jovens têm mais coragem que nós … não tão jovens!
E, depois, a minha experiência. Eu era um amigo próximo dos anglicanos em Buenos Aires, porque o lado de trás da paróquia Merced se comunicava com a catedral anglicana. Eu era muito amigo de Bispo Gregory Venables, amigo muito. Mas há uma outra experiência: no norte da Argentina estão as missões anglicanas com os aborígines e as missões católicas com os aborígines, e o bispo anglicano e o bispo católico de lá trabalho juntos, e ensinam. E quando as pessoas não podem ir no domingo para a celebração católica vão para a Igreja Anglicana, e anglicanos vão para a Católica, porque eles não querem passar o domingo sem uma celebração; e trabalham juntos. E aqui a Congregação para a Doutrina da Fé sabe. E fazem a caridade juntos. E os dois bispos são amigos, e as duas comunidades têm sido amigas.
Penso que esta é uma riqueza que nossas Igrejas jovens podem trazer para a Europa e para as Igrejas que têm uma grande tradição. E elas nos dão a força de uma tradição muito, muito precisa e muito pensada. É mais fácil, é verdade, o ecumenismo nas Igrejas jovens. É verdade. Mas creio que – e retorno para a segunda questão – é talvez o ecumenismo mais sólida a busca teológica numa Igreja mais madura, mais envelhecida na pesquisa, no estudo da história, na teologia, na liturgia, como é a Igreja na Europa. E creio que a nós fará bem, para ambas as igrejas: a partir daqui, da Europa para enviar alguns seminaristas fazer experiências pastorais nas Igrejas jovens, se aprende tanto. Eles vem, desde as igrejas jovens, estudar em Roma, pelo menos católicos, nós sabemos. Mas enviá-los para ver, aprender com as igrejas jovens seria uma grande riqueza no sentido do que você disse. É mais fácil ecumenismo lá, é mais fácil, o que não quer dizer superficial, não, não é superficial. Elas não negociam a fé e a identidade. O aborígene diz-lhe no norte da Argentina: “Eu sou um anglicano.” Mas não há o bispo, não há o pastor, não há o reverendo … “Quero louvar a Deus no domingo e vai para a Catedral Católica”, e vice-versa. Estas são riquezas das Igrejas jovens. Eu não sei, isso é o que me vem para dizer-te.

Tradução do italiano: Rev. Adriano Portela dos Santos

Fonte: http://w2.vatican.va. Acesso: 27 fev 2017.

sexta-feira, 3 de março de 2017

O CÂNTICO DE MARIA


Por John Stott

"Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva." Lucas 1.46-48

Desde o sexto século a Igreja tem demonstrado uma apreciação especial pelo Cântico de Maria e incluído o Magnificat em suas liturgias. Porém, isso levanta uma importante questão: como podemos cantá-lo? O cântico expressa a admiração de uma virgem hebraica por ter sido escolhida por Deus para dar à luz o Messias, o Filho de Deus. Como podemos fazer nossas as palavras de Maria? Não seria inadequado de nossa parte?

De forma nenhuma. Já há vários séculos que a experiência de Maria, apesar de ter sido uma experiência única, tem sido reconhecida como a experiência típica de todo cristão. O Deus que fez grandes coisas por ela tem também derramado generosamente sua graça sobre nós. Maria parecia estar ciente disso, pois o início do cântico está na primeira pessoa (“minha” e “meu”), porém, mais adiante ela passa à terceira pessoa: “Sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração” (v. 50). Tal como acontece no Cântico de Ana, escrito após o nascimento de Samuel, no Cântico de Maria Deus inverte os valores humanos. Podemos constatar isso através de dois exemplos: 

Primeiro, Deus destrona os poderosos e exalta os humildes. Ele agiu assim com faraó e com Nabucodonosor, ao resgatar Israel do exílio. Ele continua agindo assim hoje. Se nos colocarmos de joelhos ao lado do publicano arrependido, Deus nos exaltará e nos aceitará com seu perdão.

Segundo, Deus despede os ricos de mãos vazias e enche de coisas boas os famintos. Maria sabia, através do Antigo Testamento, que o reino de Deus haveria de vir, e esperava ansiosamente por esse dia. Um anseio profundo no coração é condição indispensável para a bênção espiritual, enquanto que uma arrogante autossuficiência é o seu maior inimigo.

Se desejarmos herdar as bênçãos de Maria, devemos cultivar as mesmas qualidades demonstradas por ela, especialmente um espírito humilde e um profundo anseio pelas coisas espirituais.

Para saber mais: Lucas 1.46-55

Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo. Editora Ultimato.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

NOTA DA IAOB SOBRE A QUARESMA


QUARESMA

Tenho recebido muitos questionamentos sobre o tempo da quaresma, tais quais: a quaresma é propriedade de Roma? Porque vocês praticam piedade e penitencia apenas quarenta dias por ano? 
Pois bem o ano cristão do qual faz parte a quaresma tem início com a igreja primitiva que entendeu a importância de organizar o tempo ao redor dos eventos da vida e ministério de Jesus, e assim poderiam formar suas vidas seguindo o exemplo dEle. Logo, o ano cristão é uma forma de se relembrar, reviver e se apropriar da vida e ministério e ensinamentos de Cristo, a saber: vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Que é o arquétipo que todo cristão deve tentar concretizar em si mesmo. E como afirma o livro O Ano Cristão (p. 6): “Neste sentido, o Ano Cristão é uma ferramenta e forma idônea para discipular”. 
A quaresma é período de quarenta dias sem contar os domingos que antecedem a Páscoa. Inicialmente relacionado coma preparação dos catecúmenos que tinham sido separados, e consideravelmente preparados para serem batizados na vigília pascoal. E na época de Santo Agostinho se tornou um tempo de preparação para todos os cristãos batizados ou não. Iniciando na quarta-feira de cinzas sendo um tempo de preparação para a páscoa. É o tempo litúrgico em que se focaliza temas como o arrependimento, penitencia conversão. 
Isso não significa que os cristãos litúrgicos só sejam piedosos nestes quarenta dias, há o esforço em ser piedoso e penitente os 365 dias do ano e os 366 se o ano for bissexto. Mas é o momento em que todos os cristãos são chamados a avaliar a sua vivencia do cristo, renovar seu compromisso e disciplina. 
É importante se meditar nestes temas que estão um pouco desaparecidos da maioria dos púlpitos brasileiros o ano todo, não é verdade !!!
Concluindo, a quaresma não é propriedade romana, remonta os primórdios da fé cristã. É o tempo em que se focaliza a meditação na conversão, na penitência, porém estás práticas da piedade cristã não ficam restritas aos quarenta dias. Logo, a quaresma é o tempo de olhar no espelho e ver o que esquecemos nos demais dias passado, corrigirmos e aprendermos para os demais dias vindouros não somente quarenta dias, mas para a vida toda.

Rev. Pe. Cleiton Nerys +
Missão Anglicana da Santíssima Trindade, Corumbá de Goiás

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

VÉSPERAS ANGLICANAS SERÃO CELEBRADAS NO VATICANO

Justin Welby Arcebispo de Cantuária (Líder Anglicano) e Papa Francisco


Pela primeira vez, as "Vésperas Anglicanas"(Anglican Choral Evensong) serão celebradas no altar da Basílica de São Pedro no Vaticano no próximo mês. A música será cantada pelo renomado Coral do Merton College, em Oxford.

O cardeal Angelo Comastri, Arcipreste da Basílica de São Pedro, concedeu permissão para esta ocasião única, durante uma recente reunião com o arcebispo David Moxon, diretor do Centro Anglicano em Roma, eo representante do arcebispo de Canterbury junto à Santa Sé.

Em um comunicado, o Centro Anglicano disse: "O gesto reflete os laços profundos de afeto e confiança entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica Romana".

Cinco meses atrás, o Papa Francisco e o Arcebispo Justin Welby celebraram as Vésperas juntos na Basílica de San Gregorio al Celio, em Roma (Foto acima). 

13 de março foi escolhido como o dia disponível mais próximo para a festa histórica de São Gregório Magno, que se tornou um patrono não oficial das relações entre as duas igrejas. São Gregório foi o Papa que enviou Santo Agostinho à Inglaterra em 595 para evangelizar os anglo-saxões e que se tornou o primeiro arcebispo de Canterbury.

O convite para celebrar Evensong em São Pedro também retribui a hospitalidade litúrgica do Arcebispo de Canterbury e Dean Robert Willis em acolher o Cardeal George Pell para celebrar a Missa Solene no Alto Altar da Catedral de Canterbury em 2015.

O Coro do Colégio Merton seguirá os passos do coro da Abadia de Westminster, cantado anteriormente em Roma com o coro da Capela Sistina - uma colaboração que cresceu a partir de laços mais estreitos entre as duas tradições, em particular após a visita do Papa Bento XVI a Londres em setembro de 2010.


domingo, 15 de janeiro de 2017

O ROSÁRIO ANGLICANO


História

O rosário anglicano é um método devocional contemporâneo em nossa tradição que surgiu baseada na antiga prática da oração com o auxílio de contas, presente tanto na tradição cristã como em outras religiões do mundo.

Sua origem na tradição anglicana remonta os anos de 1980 nos EUA, através de um projeto de oração comtemplativa direcionado pelo Rev. Lynn Bauman, padre da Igreja Episcopal dos Estados Unidos ( ECUSA). 

O uso do rosário ajuda-nos a experimentar uma vida de oração contemplativa lembrando-nos da necessidade de uma contínua comunicação com o Eterno no uso da mente, corpo e espírito. São Paulo na carta aos tessalonicences nos encoraja a orar sem cessar de agradecer em todas as circunstâncias. O uso do dedo em cada conta é uma ajuda a nossa mente a manter uma direção linear nas palavras e intenções com o qual poderemos recorrer nos momentos de graça e dor.

Como Rezar/Orar

Dom Jubal Neves (Bispo Anglicano) nos diz que "uma das coisas mais importantes é que o rosário anglicano nos anima a compor nossas próprias orações. Para os que são mais tradicionais, a Oração do Paí Nosso e mesmo a Ave Maria pode ser preferencial. Para os que gostam de improvisar, não há nada especificamente indicado, mas somos encorajados a gerar e fazer transbordar e jorrar o que está em nossa mente e em nosso coração".

A nossa tradição anglicana é orante, as nossas práticas liturgicas estão em harmonia direta com as Escrituras e se encontram expressas no Livro de Oração Comum. O LOC também pode ser uma alternativa para você retirar orações a serem ditas no uso do rosário


Rezando/Orando

Para começar, segure a cruz e diga a oração atribuída a ela, então passar para a conta Invitatória. Em seguida, passe para a primeira conta cruciforme que segue a Invitatória, movendo-se pelas Semanas para a direita, passar pelo primeiro conjunto de Semanas até a próxima Cruciforme, continuando o círculo nas orações compreendidas para cada esfera. 

As três contas ao redor do círculo simbolizam a Trindade de Deus, em ritmo contemplativo, permita que a repetição torne-se um louvor de amor à Deus possibilitando um descanso interior. Um período de silêncio deve seguir a oração, por um tempo de reflexão e escuta. Ouvir é uma parte importante de toda a oração.

Rezas/Orações Diversas

Disponibilizamos alguns modelos de oração dos quais você pode usar de sua criatividade em combinar, enxertar e montar seu próprio devocionário.

BENDIZEI AO SENHOR

Cruz 

Bendito seja o Único, Santo e Vivo Deus. 
Glória a Deus para sempre e sempre. Amém.

Invitatório

Ó Deus apressa-te em me(nos) salvar!
Ó Senhor apressa-re em ajudar-me(nos)!
+ Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora, e será para sempre. Amém.

Cruciformes

Eis que agora, bendizei ao Senhor, vós todos servos dEle. Tu que habitas na casa do Senhor, levantai as vossas mãos no santuário e bendizei ao Senhor.

Semanas

Elevo meus olhos para os montes;
De onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra.


TRISAGION* E ORAÇÃO DE JESUS


Cruz

+ Em nome do Pai , do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Invitatório

Ó Deus apressa-te em me(nos) salvar!
Ó Senhor apressa-re em ajudar-me(nos)!
+ Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora, e será para sempre. Amém.

Cruciformes

Santo Deus,
Santo e Poderoso,
Santo Imortal,
Tenha misericórdia de mim(nós).

Semanas

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus.
Tem Misericórdia de mim(nós), pecador(es).

* Três vezes Santo. 


ORAÇÃO AGNUS DEI

Cruz

Pai Nosso...

Invitatório

"Que as palavras de minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a Tua presença, ó Senhor, minha Força e meu Redentor" Salmo 19:14 

Cruciformes

Deus de sua bondade dai-me a Si mesmo,
Pois Tú és sufificiente para mim.
O que posso te pedir não se compara ao peso de Sua Glória,
Se pouco pedir, ou ainda querer, em Vós tenho tudo. 

Semanas

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que te amam, ó Senhor.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

DOM ADOLFO É NOMEADO SUPERINTENDENTE DA EDSP

O Bispo Primaz do Brasil da Igreja Anglicana Ortodoxa no Brasil e nosso Bispo Diocesano Dom Adolfo Batista Teodoro Júnior foi nomeado no último dia 01 de Janeiro de 2017 como superintendente da EDSP - The Episcopal Diocese of Saint Peter (Diocese de São Pedro) para a América Latina. 

A IOAB é filiada a The Episcopal Diocese of Saint Peter que tem status de Província Anglicana Católica. Assim sendo a Igreja Anglicana Ortodoxa no Brasil continua independente mais com um lastro internacional. 

A nomeação de Dom Adolfo como superintendente da EDSP se deu porque muitas igrejas Anglicanas na América Latina estão precisando de suporte da EDSP.